Ayahuasca é uma medicina indígena feita a partir da mistura de plantas medicinais capaz de provocar estados não-ordinários da realidade (ativação da glândula pineal) e colocar em pessoa em contato com o mundo espiritual, seus efeitos podem durar cerca de 4 a 6 horas. É usada milenarmente por povos indígenas da Amazônia em rituais de cura e estudos dos pajés.
A ayahuasca tem suas componentes largamente estudados em pesquisas cientificas. Esta bebida contém duas substâncias principais, o DMT (dimetiltriptamina) e a harmalina (ou harmina), que atuam sobre o sistema nervoso central, causando alteração do estado de consciência, o que leva as pessoas a terem experiências sensoriais e cognitivas diversas, como visões de seres espirituais e melhor entendimento de seus próprios problemas, sentimentos, medos e angústias. Além disso, é muito importante também o rezo e as energias de quem prepara e serve esta medicina, para que se tenha os objetivos terapêuticos.
Por isso, é utilizada para tratar diversos tipos de problemas - como doenças sem explicação médica, somatização, dependência de substâncias químicas (álcool e outras drogas), depressão, estresse pós-traumático e ansiedade. Além disso, pode causar efeitos colaterais como vômitos e diarreia, vistos como uma limpeza no organismo.
As visões provocadas pelo consumo da ayahuasca são (mais comumente) observadas de olhos fechados e, por isso, também são conhecidas como "mirações". Nesses episódios, a pessoa pode ter visões de animais, espíritos, divindades, antepassados, pessoas próximas falecidas, etc.
O uso de ayahuasca leva a pessoa a ter um olhar mais profundo das suas ideias, problemas, crenças e estilos de vida, provocando mudança nos hábitos negativos.
No entanto, esse tipo de efeito medicinal só surge quando a pessoa está determinada a enfrentar seus problemas, não podendo ser utilizada como um simples remédio que é ingerido para provocar o efeito esperado.
Embora seja muitas vezes seja nomeado como alucinógeno, a ayahuasca não está inserido na categoria de drogas alucinógenas - Resolução Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD) nº 1 de 25/01/2010 - especialmente porque não tem efeitos de toxicidade para o organismo a longo prazo, nem capaz de causar dependência. Ainda assim, seu uso deve ser sempre orientado por alguém que conheça bem seus efeitos e tenha experiência com esse tipo de tratamento.
Para nossa cultura Kaxinawa o rapé é usado de forma medicinal e até mesmo em rituais espirituais. É uma medicina em pó sagrado, feito à base de tabaco orgânico moído combinado com as cinzas de árvores medicinais da floresta, como a Tsunu, Cumaru ou Murici. O rapé é usado no tratamento de algumas doenças e promove a limpeza física e espiritual.
É uma medicina tradicional indigena. Seu uso é comnhecido há muitos séculos. Proporciona uma limpeza profunda e pode causar algumas reações como suor excessivo, vômito e fraqueza. O rapé é para nós indigenas uma medicina sagrada e quando usada de maneira correta, com supervisão, não causa dependência.
Na nossa cultura indigena o rapé é preparado com um propósito, por isso, somente pajés e aprendizes de pajé podem preparar a substância, já que são consideradas pessoas de confiança pela aldeia.
Dependendo da intenção das pessoas que aplicam e recebem o rapé, a substância pode ou não ter efeitos benéficos como a cura e o bem-estar ou efeitos maléficos, causando doenças e até males espirituais. Ou seja, o ritual do rapé é um ato de coragem e confiança entre quem aplica e todos que participam.
O uso do rapé está voltando a ganhar espaço pelo mundo e pelo Brasil justamente por conta dos seus benefícios na mente quanto no tratamento de doenças.
O rapé tem efeito calmante e possibilita controlar emoções por tempo prolongado; suas propriedades tem poder tanto para aguçar a mente, quanto para ajudar na concentração; pode ser utilizado para tratar doenças crônicas com a sinusite e a enxaqueca; pode ser utilizado também para desintoxicar e limpar o campo energético da mente e do corpo.
Ajuda no combate de doenças respiratórias e resfriados, já que limpa o caminho que o ar faz entre os pulmões, traquéia, cavidades nasais, faringe, boca, laringe, bronquíolos e brônquios, acabando com bactérias.
Após a preparação, o rapé vira um pó que é inalado, primeiro por um lado da narina e depois pelo outro, nunca pelas duas narinas ao mesmo tempo, de forma que quem o utiliza cria uma conexão para que a substância possa agir.
Antes da cerimônia para uso do rapé é feito um ritual de limpeza energética no local com ervas de proteção e breu, que é feito de resinas tiradas de determinadas árvores.
Para que o rapé seja inalado de forma correta é usada um instrumento tradicional chamado tepi. Aplicado através do sopro ritualístico com o tepi, o Rapé silencia a mente, aterra o corpo e alinha os centros energéticos, auxiliando no foco, na purificação do campo sutil e no alívio de tensões acumuladas.
A dieta é um período fundamental de preparação física, mental e espiritual para o trabalho com as medicinas sagradas da floresta. Purificar o organismo garante a sua segurança, minimiza desconfortos físicos e prepara o corpo para receber os ensinamentos da medicina.
O que fazer nos dias anteriores à cerimônia: